Carreira

Um panorama sobre a atual relação entre empresas e colaboradores

Escrito por Havik

Muito capacitados, com ideias inovadoras, mas com pouco apego ao emprego. Essas são características comuns às novas gerações. A necessidade de estarem preparadas para receber esses novos colaboradores e mantê-los na organização, contribuindo constantemente para o crescimento dos negócios, é hoje uma missão diária para as empresas. CEOs, líderes e gestores buscam a forma ideal de lidar com as novas relações profissionais.

Neste artigo, identificamos quais são as mudanças no mundo corporativo, a forma como impactam os relacionamentos entre empregadores e empregados e como as empresas podem atrair e reter profissionais talentosos. Acompanhe o post.

As novas relações profissionais

A inserção das novas gerações no mercado de trabalho, com uma nova visão sobre carreira e emprego, vem alterando as relações profissionais. Há alguns fenômenos que influenciam essa mudança, como veremos a seguir.

Novo conceito de carreira

Uma grande influência para as novas relações profissionais está relacionada à longevidade. Entre 1940 e 2015, a expectativa de vida no Brasil aumentou em 30 anos e passou de 45,5 para 75,5 anos. Assim, os profissionais passam a ter uma “vida útil de trabalho” maior e, consequentemente, têm aposentadoria mais tardia.

A longevidade profissional influencia diretamente na perspectiva de carreira, com diversas mudanças ao longo da trajetória no mercado. As pessoas passam a ter agora “muitas carreiras”.

“Chamamos a esse movimento de certezas temporárias. São períodos de 3, 4 ou 5 anos em que você quer fazer um trabalho e depois fará outra coisa”, observa Silvio Genesini, consultor e mentor de empresas inovadoras, ex-presidente do Grupo Estado, da Oracle do Brasil e board member do Grupo Algar.

“Hoje, quando alguém oferece uma carreira de longo prazo, o nível de interesse é muito menor. Muitas pessoas querem fazer outra coisa, ter um período sabático, morar no exterior, estudar, ser empreendedor ou ter uma startup. Você lida com uma geração muito mais mutante, por causa dessa transformação de comportamento e da longevidade também”, acrescenta Genesini.

Novos trabalhos

Não são apenas as carreiras que se modificam. Novos trabalhos têm surgido no mercado, com a característica de serem múltiplos, enquanto as carreiras não são mais as tradicionais. “Havia carreiras tradicionais em vendas, marketing, na área de produção ou na área administrativa. Hoje, são carreiras com muitos outros formatos, como cientistas de dados, designers gráficos e pessoas de criatividade. Mudou completamente o leque de carreira”, destaca Silvio Genesini.

Tecnologia em substituição a carreiras

Muitas das carreiras tradicionais têm sido substituídas pela tecnologia. Atendentes de call center, por exemplo, dão lugar a chatbots, enquanto check-outs de supermercados passam a operar sem caixas.

“As pessoas que serão contratadas são muito mais do ponto de vista de conhecimento, criatividade e transformação do que da repetição. Isso acontece gradativamente, mas as mudanças são significativas”, comenta o consultor.

Novas avaliações e incentivos

Enquanto algumas funções são modificadas e outras entram em extinção, aquelas que se permeiam no mercado exigem novos formatos de avaliações e incentivos. Ainda persistem as empresas que fazem avaliações anuais, baseadas em metas quantitativas. Porém, esse cenário se torna cada vez mais parte de um passado corporativo. “Hoje, o feedback de performance é em curto prazo, real time e muito mais baseado em mistura de metas quantitativas e qualitativas”, explica.

Propósitos de vida levados ao trabalho

As relações de trabalho são alteradas ainda pela incorporação de propósitos de vida à trajetória profissional. A partir desse conceito, denominado por Silvio Genesini como “humanismo de causas”, as pessoas querem trabalhar em empresas em que os propósitos estão alinhados com as suas visões de mundo. “São pessoas engajadas em questões sociais e que esperam que a empresa tenha comportamento de lucro, mas que contribua para que o mundo fique melhor”, afirma.

As novas gerações no mercado de trabalho

Diante de todo o cenário de mudanças nas relações profissionais, conforme descrito anteriormente, as empresas têm ainda a missão de receber uma geração que, além de prezar pelos propósitos de vida, não tem grande apego ao emprego. Mudar de funções e aceitar partir para novos desafios são características comuns dos chamados millennials, que carregam ainda uma série de individualidades.

No mundo corporativo atual, líderes e gestores precisam se adaptar às diferentes particularidades dos profissionais que comandam. “Não podemos dizer que há um método ou uma receita só, e que todo mundo se comporta do mesmo jeito. O tempo atual é de singularidades, as pessoas são muito diferentes e reforçam essa diferença”, destaca Silvio Genesini.

Todavia, profissionais que buscam uma carreira de longo prazo são cada vez mais raros. As empresas precisam se adequar a esse novo cenário para serem capazes de reter seus talentos. Oferecer liberdade para a inovação é um mecanismo eficaz para evitar que os funcionários fiquem frustrados e percam o interesse em seu trabalho.

Economia compartilhada

Acompanhado pelos comportamentos dessas novas gerações, o mercado de trabalho convive também com a diminuição de vagas formais, enquanto crescem os trabalhos temporários. Na “uberização do mundo de trabalho”, além dos motoristas de aplicativos, há entregadores de serviços de delivery e profissionais liberais, como advogados, designers e contadores, que trabalham para plataformas de crowdsourcing.

“Na economia compartilhada, os formatos são múltiplos e diferentes da relação de empregabilidade com a empresa. O trabalho nesse sentido ficou mais precário”, analisa Genesini.

Como atrair e reter talentos das novas gerações

Enquanto as vagas formais diminuem, as empresas lutam para se manterem atraentes para os profissionais talentosos. No entanto, surge o desafio: como fazer para conquistar as novas gerações e sua constante capacidade de mudança? Silvio Genesini tem uma resposta:

“A preparação principal é entender esse mundo. Se os líderes não entendem que vivem num mundo diferente, tratarão todos de forma igual, com mesmo processo, mesma carreira. Se você não entender que há diferenças fundamentais de uma pessoa para outra, vai se frustrar e perder seus talentos rapidamente”.

O consultor ressalta que as empresas devem ter “processos de evolução de carreira e de treinamentos muito mais flexíveis e individualizados”. Esse é um desafio para as organizações, que devem ser menos hierárquicas e proporcionar liberdade para que as pessoas possam operar como empreendedores dentro da mesma empresa, com a oferta de planos de carreira diferenciados.

“Para muita gente que gosta de conhecimento técnico, o grande incentivo, mais do que dinheiro, é fazer o trabalho técnico e aprofundado. As pessoas que vivem atrás de propósitos e de missões têm de ter um trabalho que a empresa encaixe nesse objetivo. É óbvio que o dinheiro e a remuneração são importantes, mas precisam ser uma parte de todo esse processo”, acrescenta.

A relação entre autonomia e responsabilidade

Os millennials se caracterizam por formarem uma geração inventiva, sem receios de correr riscos. A ideia de arriscar acaba sendo levada ao ambiente de trabalho, o que obriga os gestores a lidarem com uma relação entre dar autonomia a seus colaboradores e cobrarem por responsabilidades.  

“Por ser inventiva, essa geração ajuda que a empresa crie e invente o próprio futuro. Mas, a invenção e o risco têm de ser feitos responsavelmente. A contrapartida da descentralização é a atribuição de responsabilidade a quem tem essa liberdade. É dessa maneira, atribuindo liberdade com responsabilidade, que você consegue que as empresas sejam inventivas, criativas e naturalmente éticas”, explica o ex-presidente do Grupo Estado, da Oracle do Brasil e board member do Grupo Algar.

As novas formas de comunicação e liderança

Para estarem aptas a receber profissionais da nova geração, motivá-los e retê-los, as corporações encaram a necessidade de rever as formas de comunicação e liderança. É preciso adotar novas formas de relacionamento entre empregadores e empregados. As antigas estruturas hierárquicas são alteradas, proporcionando o conceito de horizontalidade.

“É um mundo de desconforto, de mais incertezas e inseguranças. Você tem de comunicar que é uma empresa disposta a tomar riscos e permitir uma estrutura descentralizada. Muitas empresas não estão preparadas para fazer desse jeito. Tem outras que impõem determinados limites. Chego a determinado ponto e não serei mais inovador e disruptivo do que isso. Cada um tem de se posicionar em relação ao mundo novo”, destaca Silvio Genesini.

Assim como mudam os comportamentos das pessoas e a forma como as empresas devem se relacionar com empregados e consumidores, o trabalho também mudou. Para serem competitivas, as empresas não conseguirão oferecer empregos com os mesmos vínculos de antigamente. Portanto, é preciso estar preparado para as novas relações profissionais.

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