Liderança

Por que a mudança de atitude é essencial para o sucesso de um gestor?

Escrito por Havik

A chegada da era da informação e da tecnologia, somada à entrada da geração millenium na idade adulta (e, por consequência, no mercado de trabalho), têm promovido, nos últimos anos, uma transformação nunca antes vista no mundo corporativo.

O compartilhamento extremamente acelerado de informações e a facilidade das pessoas em se conectarem umas às outras forçou uma mudança de postura bastante significativa dentro das empresas. Mudança essa imposta por clientes, consumidores e colaboradores muito mais bem informados e conscientes.

Hoje em dia, as pessoas exigem que as corporações sejam um exemplo de conduta ética e que contribuam, efetivamente, para um mundo melhor. Não é à toa que modelos de negócios disruptivos têm feito tanto sucesso.

Entretanto, como não poderia deixar de ser, todas essas transformações na cultura organizacional, passando de um estilo agressivo e focado somente em lucro, para um mais humanista e preocupado com causas sociais, requer também uma modificação de atitude por parte dos gestores.

Mas afinal, que mudança de atitude é essa e por que ela é tão importante para a manutenção da sustentabilidade e competitividade de uma empresa no cenário atual? É o que você descobrirá a seguir. Continue a leitura e fique por dentro!

Caso Uber: o que podemos aprender com ele?

Em meados de junho deste ano, o mundo corporativo foi surpreendido com o pedido de demissão de Travis Kalanick, CEO e fundador da Uber, organização que revolucionou o serviço de transporte nas principais cidades do mundo.

Apesar do modelo de negócio exemplar, inovador e totalmente adaptado aos novos tempos, a empresa passa por uma grande crise moral.

Denúncias de assédio, machismo, vistas grossas a casos de estupro e o vazamento de um vídeo que mostra um bate-boca entre um motorista da Uber e Kalanick culminaram na saída deste do comando da empresa.

A decisão foi imposta por investidores, que assistiam desconcertados à incrível pressão externa feita por clientes, funcionários e motoristas da companhia, que propagavam as más condutas aos quatro ventos.

E como se não bastasse, apenas horas depois do anúncio do afastamento de Kalanick, foi a vez de David Bonderman, fundador da empresa de investimentos TPG Capital e um dos membros do conselho diretor da Uber, deixar seu posto voluntariamente. O motivo? Um áudio distribuído à imprensa em que Bonderman faz um comentário extremamente machista para Arianna Huffington, na época única mulher do conselho da empresa, durante uma reunião.

Como em praticamente qualquer coisa na vida, é possível tirar bons ensinamentos do caso Uber. O principal é óbvio: culturas organizacionais agressivas e CEOs que abusam de seu poder e oprimem grupos historicamente já em desvantagem social estão fadados ao fracasso.

Mudança de atitude de gestores e manutenção da competitividade: qual a relação?

É claro como água: para que uma empresa mantenha sua sustentabilidade dentro de um cenário econômico tão instável e competitivo como o atual, é imprescindível que sua cultura e valores estejam alinhados com o que seus clientes esperam e como enxergam o mundo.

O que aconteceu na Uber foi um exemplo muito claro do quão estreita e simbiótica é essa relação. Em uma sociedade em que as mulheres estão a cada dia mais conscientes de seus direitos e lutando por igualdade de condições, uma empresa que mantém em seu quadro de colaboradores gestores abertamente machistas está dando um tiro no próprio pé.

Além disso, questões como sustentabilidade e meio ambiente, defesa e inclusão de grupos discriminados, comportamento ético e horizontal de líderes, responsabilidade social, exaltação do comércio local e da produção limpa, não utilização de animais em testes, entre outras, são determinantes na escolha de empresas por grande parte da população atualmente.

Por mais contraditório ao sistema “capitalista selvagem” tão arraigado no ambiente corporativo, a verdade é que empresas que incorporam a cultura do “fazer o bem” e melhorar o mundo com o seu modelo de negócio são as mais admiradas e bem-sucedidas.

Por onde começar?

Dentro desse contexto de mudanças tão profundas de paradigmas e valores corporativos, é imperativo que o comportamento dos líderes e gestores esteja verdadeiramente alinhado com princípios éticos.

De nada adianta anunciar iniciativas que mostrem ao público uma empresa engajada, se por trás não é nada disso o que se vê e vivencia. Acredite, com o poder da internet, a farsa não se manterá por muito tempo (mais uma vez, isso pode ser percebido claramente ao se analisar o que aconteceu na Uber).

A imagem de um gestor hierarquicamente distante de seus liderados, sentado no alto de um pedestal, de onde esbraveja ordens, críticas e exigências, já está mais do que ultrapassada. Hoje em dia, a horizontalidade é comprovadamente o tipo de relação que mais resultados positivos traz a uma organização.

Um gestor que lidera a partir do exemplo, sempre pautando suas decisões em valores éticos, que divide tanto as responsabilidades quanto os méritos e que pratica a escuta ativa atua ativamente na evolução e no desenvolvimento humano, profissional e pessoal de seus liderados. E é exatamente isso que as pessoas buscam em suas experiências profissionais: aprender, crescer e se desenvolver.

O resultado? Altos índices de motivação, produtividade e engajamento de equipes dentro da organização. Ao promover um ambiente de colaboração, respeito, aceitação de ideias e inovação, gera-se um ambiente propício para a criação e alcance de resultados extremamente satisfatórios.

Obviamente, essa mudança de atitude e maneira de enxergar os processos dentro do universo corporativo pode se revelar um desafio e tanto, especialmente para quem já tem muitos anos de estrada e foi “criado” no modelo antigo.

Aprender, se atualizar e se reinventar não é mesmo fácil e exige bastante disciplina, esforço e prática da humildade. Porém, quem não se conectar a esse novo modelo de gerir pessoas estará defasado em pouquíssimo tempo.

Acredite, descer do pedestal e aprender a ouvir o que outras pessoas têm a dizer, mesmo aqueles que tem 20 anos a menos que você, poderá fazer a diferença em sua carreira.

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